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Papel e Caneta

Papel e Caneta

28
Fev20

Desafio de escrita dos Pássaros #2.5

Ana Catarina

Um dia feliz em que tudo está igual

Menos as coisas que nos deixam mal

Coisas pequenas ou grandes

Tudo depende do ponto de vista

Feridas que custam a sarar 

Ou corações partidos

Ainda por arranjar

 

Poderia ser hipócrita 

E dizer que não mudava nada

Estou feliz com tudo

Ou pelo menos acostumada

 

É sexta feira

Nem tenho razões para me queixar

Não apanhei filas

O sol apareceu

O restaurante onde fui almoçar estava praticamente vazio

Pus a conversa em dia com a minha melhor amiga

Trouxe nuggets à minha mãe

O trabalho está tranquilo 

Ou estava

Pois só agora reparei

Que são quase 3 da tarde

E eu já nem me lembrava  

Do desafio dos pássaros

Que é para entregar 

Antes que o tempo acabe

 

21
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.4

Usar o Google de forma responsável

Ana Catarina

O Google tem muitas facetas, se fosse uma pessoa seria alguém com privação de sono com a quantidade de profissões que lhe são impostas. Ele é médico, é psicólogo, é chef de cozinha, é matemático, é mecânico, é informático, é advogado, é dona de casa, é designer, é fotografo, é escritor…. É claro que nem todos os resultados apresentados por ele nessas áreas são irrevogáveis, aliás é tudo um bocadinho questionável. Mas quem nunca se enganou? No fundo acaba sempre por ser uma grande ajuda, quanto muito desperta-nos a estarmos alertas para alguma situação, e então consultar alguém mais experiente. No entanto para mim a pior profissão do Google, e aquela em que apresenta piores resultados, é, sem dúvida, a de Tradutor!

Não é como as legendas de um filme, que tem expressões mal traduzidas e que nos aborrece, não! O Google tem o poder de trocar pronomes com determinantes, e traduzir palavras para coisas sem nexo nenhum.

E o pior é que muita gente continua a recorrer ao uso deste senhor para a tradução de texto e mensagens ou para eventualmente traduzirem frases para colocarem na descrição de fotografias que publicam nas redes sociais! SOCORRO!

O melhor é caso não percebam inglês, não traduzirem no Google. Peçam ajuda a alguém ou, simplesmente. escrevam em português.
Do ponto de vista de uma bilingue que sempre preferiu o inglês à língua portuguesa, tenho hoje a declarar, que a nossa língua é linda! A língua portuguesa consegue ser melódica. Com poucas palavras nossas constroem-se poemas e canções e que fazem sentido!!

Não precisamos de fingir que sabemos falar inglês ou outra língua qualquer com o Google tradutor, vai correr mal, na pior das hipóteses ainda insultamos alguém….

Usar o tradutor sem o mínimo conhecimento de uma língua, é como querer tocar piano só com uma mão e com etiquetas nas teclas, sem o mínimo conhecimento musical…. É muito limitado.

O meu conselho é, caso queiram traduzir textos para trabalho ou frases para redes sociais, então, façam um uso responsável do tradutor. É que, por norma, o Google está errado.

20
Fev20

Um mês no Blogs Sapo

Ana Catarina

Faz 1 mês que criei este blog e este ano faz 10 anos, (registados), que ando pela blogosfera. Como expliquei no meu primeiro post, já andei por várias plataformas, ou como lhes queiram chamar…  No entanto, o meu primeiro blog foi mesmo aqui, e como diz o ditado “bom filho a casa torna". E passado mais de 10 anos, cá estou em, desta vez com um blog pessoal e não de homenagem a um cantor.

Alegrei-me mais num mês no Blogs Sapo do que em 9 anos no Blogger. É muito porreiro dizer que escrevemos só porque gostamos e que não nos interessa o reconhecimento de ninguém, mas a verdade é que se nunca tivermos uma reacçãozita àquilo que escrevemos mais tarde ou mais cedo acabamos por desanimar. É como escrever um livro e ninguém o comprar.

É bom ter o apoio de uma comunidade. São os comentários e as reacções que nos impulsionam a querer escrever mais e mais… Dou por mim a pensar “Caramba, se calhar até levo jeito para isto!”.

Nunca me passou pela cabeça que, 1 mês depois de criar o Papel e Caneta, ainda estaria aqui a escrever. Pensei que tal como todos outros blogs que eu tive, também este ficaria parado a apanhar pó.

Talvez para vocês seja assim um bocadito tolo, porque afinal é só 1 mês. Mas para mim é um grande passo, para provar a mim mesma que consigo persistir em vez de desistir.

Neste mês, ultrapassei as 1000 visualizações, os 100 comentários, cheguei aos 22 subscritores e tive 1 destaque!!!

Sim tive um destaque logo no meu 1º post e fiquei tão contente. Na altura nem percebi muito bem o que se estava a passar, só com o passar dos dias é que me caiu a ficha…

Mas mais importante que os números são as pessoas que fazem parte deles. Descobri que há sapos e pássaros fantásticos por aqui!

Pessoas que logo no meu primeiro post me incentivaram a continuar, a ser persistente na escrita. E pessoas que me falaram do Desafio dos Pássaros…. Essa é outra que nunca pensei conseguir levar a cabo, e já estamos, para aí, na quarta semana do desafio.

 

Não podia, nem queria deixar este dia em branco…. Sei que é só um mês, mas devemos celebrar as pequenas vitórias!

Pelos 10 anos na blogosfera criei o Papel e Caneta 2.0 e importei para lá tudo o que restou dos blogs que criei ao longo dos anos (só sobraram três). Podem aceder às publicações de cada blog através dos links no menu.

Grace Like Waves é o blog sobre a minha fé;

Let it Out é o blog que nem me lembro de criar e que só tinha duas publicações;

Just Too Many Barriers é o blog mais antigo e mais deprimente e estava praticamente todo em inglês...

 

Tenho vergonha alheia deste ultimo blog, mas olhem é o que há. Até gosto de ter estes tesourinhos deprimentes, assim, vejo a evolução que houve, desde então, a nível pessoal e na escrita também.

 

Sobre este mesito, quero agradecer a todos vocês que, com um simples comentário, alegram o meu dia. Obrigada!
Vá, que ainda tenho o desafio #2.4 para ir escrever que o tema desta semana não está nada fácil.

18
Fev20

Elo perdido

Ana Catarina

Identifiquei-me contigo
Não sei bem como
Ou porquê

O sinal de perigo
Nos teus olhos
Devia ter sido motivo
suficiente para me afastar

Mas eu tentei
A sério que tentei
Como quando tentava
Não sorrir quando
o teu olhar pousava em mim

Às tantas
Perdi-me nas tuas palavras
Nos teus sonhos
Nos meus sonhos
De quem tu podias ser para mim
Aqui ou aí

Num sítio qualquer
Sem hora marcada
Encontrava-te outra vez
Talvez fosse diferente
Desta vez

Mas não foste nada
Não és nada
E há 6 meses
que não sei nada de ti

 

 

17
Fev20

Papel e lápis

Ana Catarina

IMG_20200217_140930.jpg

 

A semana passada iniciei e concluí este desenho, pela primeira vez em sei lá eu quantos anos.

Ter de desenhar por obrigação, durante anos, apenas para ter uma avaliação positiva, fez-me perder completamente o interesse. Criei uma espécie de barreira, ou se quiserem, uma muralha da china entre mim e a arte.
Razão pela qual rejeito firmemente todo e qualquer pedido para desenhar seja quem for, mesmo que me ofereçam dinheiro.
Não o faço, recuso-me! Não vou ser hipócrita e dizer que não me dava jeito, mas não estou para lidar com a pressão e o stress outra vez. Detesto ser pressionada, detesto que me estejam constantemente a perguntar se já está terminado. Como já referi noutro post, há umas semaninhas, a arte não pode ser forçada. A inspiração vai e vem…

Sou e sempre fui daquelas pessoas que começa um desenho e que caso não a esteja a agradar passa para outro qualquer ou vai fazer qualquer outra coisa sem ter que me justificar.

Pensar que teria de desenhar alguém por dinheiro, afilge-me, deixa-me com a leve sensação de que vai sempre correr mal, que a pessoa não vai gostar ou que não é bom o suficiente. Prefiro nem lidar com isso. Prefiro não me comprometer. Se desenhar desenho, se não desenhar paciência.

Este desenho foi assim também, encontrei a foto numa rede social e achei tão gira, achei que merecia ficar imortalizada no meu pequenino diário gráfico, que estava em branco desde o dia em que o adquiri há 1 ano e tal atrás.

Tinha trazido o diário comigo para o caso de me apetecer procrastinar e foi o que acabou por acontecer, deixei o estudo para depois, pequei num lápis staedtler, dos básicos amarelos e pretos com a pontinha azul e comecei a desenhar.

Saiu-me isto.

Houve quem gostasse muito, houve quem criticasse instantaneamente. E pela primeira vez, em séculos, não quis saber de opiniões ou "pseudoavaliações". Fiz porque me apeteceu.

Não sabia que ainda conseguia desenhar, questionei-me tantas vezes se tinha mesmo sido eu.

E não é que fui mesmo?
Talvez desenhar, no fundo, seja como andar de bicicleta…. nunca nos esquecemos de todo.

 

PS.: Coseguem identificar esta sardenta gira?

14
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.3

Ana Catarina

“Amor e uma cabana” diz o povo quando se refere àquilo que necessita para ser feliz. In/felizmente não é bem assim que funciona. O amor em toda a sua simplicidade é mais complexo do que qualquer outro sentimento sentido à face da terra. É uma espécie de íman que atrai vários outros sentimentos e emoções, negativas e positivas, à medida que cresce. Todavia o amor não se limita a ser só um sentimento. O Amor é uma atitude, uma chave para o início de qualquer relacionamento seja ele amoroso ou amigável.

E não, não estou a dizer que devemos começar a declarar-nos uns aos outros, até porque o termo está bastante banalizado. Hoje em dia basta uma semana de namoro para sair um “amo-te” (poor Ted Mosby). Mas passado dois ou três meses já o estão a dizer a outra pessoa qualquer.

O amor, enquanto atitude, é ser-se gentil, honesto, paciente, alegrar-se nas conquistas, não maltratar, não procurar os seus próprios interesses…. Se quiserem saber mais é só lerem a Bíblia (1 Corintios 13:4-8).

As atitudes que temos uns para com os outros sem nos conhecermos são o gatilho para que algo nasça ou algo morra antes de nascer.

Inevitavelmente encontraremos sempre oscos.
É que a pessoa pode ser muito bonita, ter um olhar tão profundo quanto a Mariana’s Trench e mesmo assim, tal como ela, ter apenas lixo lá no fundo. Devemos ver além do que se vê (ou do que queremos ver).
«É simpático comigo, mas trata mal o operador de caixa sem razão…» Algo está errado. As atitudes que temos para com os outros revelam constantemente algo sobre nós.

Estas inconsistências originam-se, reiteradamente, na falta de amor próprio…  Parece cliché, mas todos os clichés têm uma pontinha de verdade.

Se eu não me amo a mim como é que vou conseguir amar alguém inteiramente?

Amarmo-nos não é narcisismo, nem é ter um ego do tamanho do Burj Khalifa. Amarmo-nos é entender que somos humanos, é sermos gentis também connosco, é reconhecer as nossas falhas e fraquezas, mas também as nossas qualidades. É perdoarmo-nos por coisas do passado e alegrarmo-nos pelas ínfimas coisas alcançadas.

Desse lado pode até não fazer sentido, mas, eu, com o tempo tenho aprendido que antes de iniciar um relacionamento com alguém, tenho de iniciar um comigo mesma, conhecer-me, aceitar-me, perdoar-me. Manuais e  ideais são irrelevantes se não os aplicarmos a nós em primeiro lugar. 

14
Fev20

Haters gonna hate, Lovers gonna celebrate

Ana Catarina

Chegou o tão ansiado dia dos namorados…. Ansiado pelos casais, pelos hotéis, pelas agências de viagem, pelos restaurantes (já perceberam, não é?).

Mas não vim aqui falar sobre consumismo, pelo contrário vim falar daqueles que falam do consumismo e detonam completamente o dia dos namorados e levam quase a semana toda (ou mais) a murmurar acerca dele. Pessoas as quais gosto de denominar por “Gosmas”.

Então os gosmas, no sentido literal da coisa são apenas, hipócritas, murmuradores e invejosos. (Caramba Ana que agressiva!)

Estes seres por norma lembram-se do dia dos namorados ainda em janeiro e parece que até instalam uma daquelas aplicações que conta os dias até à data esperada, e vão murmurando até ela chegar, sobre ela estar quase aí. Cansativo. Lembram-se mais desse dia do que as pessoas que realmente o gostam de celebrar.

Tirando as pessoas que por natureza são do contra, normalmente os gosmas são pessoas que não o “podem” celebrar porque estão solteiras/os. Eu, sendo solteira, poderia facilmente ser uma gosma no que toca ao dia dos namorados, mas não vejo necessidade. Como referi lá em cima é uma festividade consumista, mas seria irrefutavelmente hipócrita se dissesse que não lhe acho piada. Porque até acho, aliás, na minha situação “momentânea” (can I get an amen?) é um dia que, não me aquece nem me arrefece, por norma passa por mim sem que eu, se quer, me aperceba.
“Como é que é possível com tantos anúncios?”- perguntam vocês…
Pois é… é que eu sou super distraída. Para terem noção, já roubaram coisas num supermercado mesmo ao meu lado e eu nem notei, só depois, quando já estava um grande aparato é que a minha irmã me explicou o que se tinha passado.

Então não se admirem porque é mesmo normal que me passe despercebido, é, para mim, um dia como outro qualquer. E, sem qualquer gosmice, admito que quando estiver com alguém tenho todo o gosto em o festejar e ser lamechas.

É bom celebrar o amor, há tanto ódio por aí…  Haja pelo menos um dia no ano em que o mundo inteiro se foque naquilo que realmente o deveria mover. O amor.

Por acaso este ano não me passa ao lado porque algumas amigas minhas decidiram ir jantar fora. Fazemo-lo frequentemente, mas hoje por ser o dia que é teve alguma piada ao combiná-lo. Vamos ao mesmo sítio onde costumamos ir às sextas. E vamos fazer exatamente o que faríamos noutro dia qualquer, rir, conversar, comer…  Nem sempre vamos ter oportunidade de estar juntas assim, um dia todas vamos estar casadas, a trabalhar, com filhos e o cão para passear. Então vamos aproveitar enquanto dá, e, celebrar o Philia (amor fraternal) enquanto não celebramos o Eros (“amor romântico").

Um feliz dia dos namorados para quem o celebra!

Um feliz voo para todos os passarinhos que hoje vão lançar, comigo, o desafio #2.3 às 15h!

E um ótimo começo de fim-de-semana para todos!

07
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.2

Ana Catarina

O Sr. Esteves era muito preocupado, já tinha perto de 75 anos e não era casado. Andava cheio de dores, muito atormentado. Ultimamente até lhe pesava a bexiga e andava sempre enjoado.

Foi um dia ao médico e disseram-lhe que era da alimentação. Que ele já não tinha idade para comer tantos doces, nem tanto pão. Passaram-lhe umas análises para fazer e uma caixa de medicação.

Das análises o sr. Esteves não fez caso nenhum, sabia bem que o pão não lhe fazia mal, jamais em tempo algum.
Depois de muito se queixar e sem diagnostico concreto, foi pesquisar então no google, para ver se encontrava algo mais certo. Apoquentado com o que logo leu, foi outra vez para o médico e ele a pronto o recebeu:

“Viva Sr. Esteves o que o traz aqui novamente?” Disse o Dr. Santana.

“Oh Sr. Doutor você nem sabe o mal que fez. Passou-me a medicação errada. É que fui pesquisar e na internet dizia que os meus sintomas são de uma ciese muito avançada. E isto já lá vão 3 dias! Posso estar já para aqui a morrer.”

“O Sr Esteves está com uma cirrose?” Inquiriu o doutor.

“Não doutor na internet dizia ciese, até pedi ao meu sobrinho que imprimisse! Olhe diz aqui que os meus sintomas são de 3-4 meses. O que é que eu faço doutor? Não sei se aguento um diagnóstico destes."

O médico começou-se então a rir:

“Tenha calma sr. Esteves está tudo controlado.”

“Controlado? Eu sabia que vocês não eram de fiar, estou aqui quase a morrer e o doutor nada de me ajudar. E o pior é que ainda se ri de mim. Este país é uma vergonha. Onde já se viu tratarem um doente assim?

“Calma senhor Esteves, eu vou acompanhá-lo durante estes nove meses.”

“Nove meses doutor?”

“Sim segundo a sua pesquisa está há 4 meses grávido e os próximos 5 meses passam muito rápido.”

“Ora? Grávido?” perguntou o senhor Esteves, muito atrapalhado.

“Sim senhor, ciese e gravidez têm o mesmo significado, abriu com certeza uma página pré-natal e nem deve ter reparado.”

“Ai doutor desculpe lá o mau jeito. Então afinal estou bem, não é este o meu leito?”

“Não senhor, nós podemos até nos enganar. Mas o Dr. Google esse é que não é mesmo de fiar!”

 

 

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Ora este tema foi um bocadito dificil... e como o prometido é devido quero deixar aqui um agradecimento a uma grande amiga que me deu a ideia de escrever sobre um velho ranzinza indignado com um diagnóstico errado. Thanks Alexa!

07
Fev20

Devaneios

Ana Catarina

Estou sentada na biblioteca do meu local de trabalho (trabalho numa escola secundária) a tentar forçosamente redigir alguma coisa…. E lembrei-me de uma passagem bíblica que está em Zacarias 4:6 que diz que “não é nem por força nem por violência (…)”. Sinto que recentemente tem sido esse o meu relacionamento com as palavras. Chego à conclusão que é por isso que tantas vezes desisto de continuar a escrever, exijo demasiado de mim, forço tanto para arrancar ideias, palavras, algo que valha a pena o tempo de alguém. Esforço-me tanto que acabo por estragar o prazer e a liberdade que na verdade existem no simples, porém complexo, ato de escrever.

Escrever é arte, mesmo que não seja para mim é e, como tal, a arte não deve ser imposta. Foi essa uma das razões que me fez não querer enveredar pelas artes no ensino superior… Nem pelas artes, nem por coisa nenhuma (ainda) mas isso são outros quinhentos.

Terminei em Artes Visuais, e durante os 3 anos de ensino secundário ficava sempre inquieta aquando da atribuição de prazos ou quantidades ou ferramentas. A arte não funciona assim para mim (comigo), a arte acontece, a arte não se pode encaixotar. A arte é livre de ser o que ela quiser. Seja que tipo de arte for.

Talvez por isso grande parte dos meus trabalhos tenham sido entregues inacabados, precisavam de mais tempo, mais liberdade, mais vontade. Se calhar o problema sou eu, se calhar é a minha rebeldia que me impede de querer obedecer a regras de criação e datas de entrega ou a ter de agradar alguém.

A arte para mim tem fases, é como o tempo…. Hoje quando cheguei aqui estava sol, agora está encoberto e até me atrevo a dizer que é capaz de chover.

É assim mesmo que ela é, nunca vai agradar a todos, nem sempre vai fazer sentido, pode até ser constantemente inconstante. Mas é o que é. É o que há.

Um artista nem sempre vai conseguir terminar um trabalho, por muito bom que ele esteja a ficar. A culpa não é dele, a culpa não é de ninguém. A inspiração vem quando vem. Quando não vem o máximo que se consegue fazer é divagar até que surja alguma coisa. Acredito solenemente que é isso que acontece na maioria dos casos, obras de grande sucesso são possivelmente fruto de grandes divagações e profundos devaneios derivados de bloqueios criativos e crises. Que por fim chegam a ser algo do nosso conhecimento.

Este texto é sem duvida uma dessas situações, ainda estou aqui na biblioteca com a cabeça apoiada numa mão e com a outra a passar pelas teclas do meu portátil vermelho. Pensei que no inicio iria sair alguma coisa sobre amor, ultimamente parece que só sei falar sobre isso, mas saiu isto e olhem é o que é. É o que há.

 

PS:  Nem sei se devia postar isto hoje visto que daqui a pouco sai o texto do tema #2.2 do Desafio dos Pássaros. Mas enfim.

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